• Bild av Viagem Do século 02/04/2019
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Tid  14 timmar 41 minuter

Koordinater 33051

Uploaded den 20 september 2019

Recorded april 2019

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3 844 m
248 m
0
207
414
828,66 km

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i närheten av Alto de la Posada, Valparaíso (Chile)

Apesar do receio, a noite foi tranquila sem nenhum barulho diferente do que se espera de um lugar no meio das arvores ao pé de numa montanha cheia de pedras com um riacho correndo do lado. De manhã estava meio frio então demorei pra sair da barraca. Tomei café e fui arrumar as coisas. Lavei a louça no riacho e peguei duas garrafas de água usando o filtro que comprei na china, além de filtrar, sempre boto 8 gotas de água sanitária nas águas que pego pra evitar possíveis problemas intestinais, parece que até agora tem funcionado ou dei muita sorte. Hoje iria voltar pra Argentina, mas ainda tinha uns lugares que queria visitar então não ia ser só pista. Quando estava desmontando a barraca, acabei forçando demais e quebrou uma vareta de sustentação, que merda... Mais tarde terei problema com isso. Mas ali não tem como arrumar... então guardei tudo e peguei a pista. Uns quilômetros pra frente eram os famosos caracoles chilenos são mais de 28 curvas em poucos quilômetros, muito legal passar por ali. Quando terminam tem um túnel de 4km que fica entre o Chile e a Argentina, passando por baixo das montanhas. Logo antes do túnel tem uma estradinha de terra que dá acesso ao passo Cristo Redentor, pelo que vi na placa são cerca de 8 km subindo a montanha e descendo do outro lado. Era por ali mesmo que queria ir. Comecei a subida, estrada de chão com muitas curvas fechadas e em boas condições, mas não dava pra botar mais do que segunda marcha. Durante a subida vi umas construções bem fortificadas que devem ser algum tipo de abrigo, achei bem legal. Se soubesse de antemão, teria tocado um pouco mais pra dormir ali dentro. Acabando a subida chega na divisa entre chile e argentina, lá tem uma estátua grande de Jesus Cristo, dando o nome ao passo. Tem também umas casinhas que vendem bebidas e suvenires. Comprei umas lembrancinhas, conversei bastante com o dono de uma das vendas e tirei várias fotos ali, que tem uma vista e tanto do Monte Aconcágua.
Enquanto tirava umas fotos conversei com dois soldados argentinos que estavam trabalhando no posto de fiscalização que fica lá em baixo na rodovia e subiram ali em cima a pé pra passear.

Perguntei se precisava fazer a saída na aduana Chinela antes de entrar na argentina e disseram que sim. Como subi pela estrada de chão e não fiz nada disso achei que teria problema na entrada da Argentina. Comecei a descida, que é bem tranquila também, só ir com cuidado que não tem perigo. Vai quase uma hora pra fazer esse trecho todo, sendo que pelo túnel não demoraria mais do que uns minutos. Quando cheguei na pista, voltei pra trás pra ir na aduana, passei por um posto de fiscalização argentino e fui pro Chile novamente. Parei no primeiro prédio logo depois do túnel e perguntei por informações um cara me disse que a aduana era integrada e ficava a uns 10km depois da divisa, ou seja, voltei ali à toa. Passei pelo túnel de novo e pelo posto de fiscalização argentino que parece um pedágio, mas dessa vez me pararam e entregaram um papel sem falar muita coisa. Parecia um pedaço de propaganda turística regional, quase joguei fora, mas resolvi guardar de recordação. Mais uns km a frente cheguei na aduana conjunta onde se faz a saída do chile e entrada na argentina. Ali me pediram o papel que quase joguei fora e encheram ele de carimbos, ainda bem que guardei o bendito papel. Em um posto de fiscalização uns km mais pra frente entreguei o papel a um guarda e acabou a burocracia. Uns 15 quilômetros depois da fronteira fica a Puonte del Inca na beira da estrada e não paga nada pra ver. Fiquei um tempo ali lendo as placas e tirando fotos. Muito interessante o lugar, é um arco natural formado sobre uma fonte termal. Varias teorias tentam explicar como a estrutura se formou e é muito legal de ver. No início do século os ingleses construíram um hotel ali com um banho termal, mas devido aos gases tóxicos era perigoso ficar nas salas fechadas por muito tempo e após um terremoto no lugar todo foi abandonado e está assim desde então. Agora só de pode olhar de longe e tirar fotos.

Voltei pra estrada. Apesar de seco e árido, achei a paisagem bem bonita com muitas curvas em meio as montanhas e sempre descida. Estava começando a esquentar. Passei por muitos motociclistas no sentido contrário, acho que teve algum evento pela região, mas não parei pra perguntar. Passei pela região de Mendonza, apesar de ter aparência de clima desértico com muita areia e pedra, o lugar era muito bonito com um enorme lago azul povoado por jet-skis, windsurfs e banhistas, vi até uma galera fazendo trilha ali por perto, realmente bem legal. A cidade pareceu legal também e tive a impressão que era feriado pois tinha bastante gente passeando e o comercio estava fechado. Abasteci e segui por 450km diretão sem pôr o pé no chão, como seria meus últimos dias na argentina e tinha uns trocados ainda, resolvi botar a gasolina mais cara de 98 octanas. A média da moto foi muito boa, na casa dos 25km/L a 120km/h. Anoiteceu e continuei tocando. Uma coisa interessante na região de Desaguadero são os postes de iluminação na pista. Andei mais de 170km na pista com tudo iluminado isso ajudou a render pois dava confiança de dirigir a noite, Em Villa Mercedes, quando sai da ruta 7 e entrei na ruta 8 os postes ficaram para trás. Umas 11 da noite cheguei em Rio Cuarto já na reserva, Abasteci no último posto da cidade e o GPS me mandou por uma estradinha de chão que cortaria uns km do asfalto pra chegar na outra pista sem dar a volta pela cidade, pra que... Estrada estava toda enlameada e escorregadia, teimei por uns 2km mas quando chegou numa poça de agua que parecia funda desisti, parei e resolvi voltar pra trás. Tarde demais. Na tentativa de virar a moto a frente afundou na lama e a moto atolou. Chão estava liso igual um quiabo e o pneu dianteiro atolado pegou pressão no barro não ia pra frente nem pra trás. Depois de vários minutos tentando puxar a moto sem sucesso, encontrei uma pedrinha que botei em baixo do pezinho da moto pra ele não afundar. Equilibrei a moto em cima do pezinho e girei ela 180 graus. É perigoso botar todo o peso da moto em cima do pé de descanso, mas não vi outra saída ali sozinho quase meia noite. E deu certo, consegui sair dali xingando muito no twitter e voltei pro asfalto. A essa hora da noite não dava pra ver a paisagem, mas podia sentir o cheiro de grãos, milho, soja, trigo amendoim e etc. Acho que era época de safra pois tinha bastante grãos jogados na pista com um movimento intenso de caminhões e ratos correndo pra todos os lados. Já era quase uma da manhã e eu já estava cansado. Comecei a procurar lugar pra dormir, mas não achava de jeito nenhum. Tudo cercado e com porteiras fechadas, onde tinha espaço estava alagado, aliás ali deve ser uma planície toda alagada. As beiras da pista eram só água e sem acostamento. Nem arrisquei sair da rodovia nesses trechos. Foi realmente complicado. Até que passei por um posto de gasolina 24h com vários caminhões parados num pátio, que nem fazia parte do posto. Mas era uma área grande e aberta do lado da pista que não estava alagada. Vai ser ali mesmo. Parei a moto perto de um poste e comecei a arrumar as coisas. Só que a barraca estava com a vareta central quebrada e não tinha como montar ela daquele jeito.
Acabei tirando fora essa vareta e montei ela do mesmo jeito. A barraca ficou menor, mais baixa e toda solta, mas pelo menos daria pra dormir ali dentro sem risco de ratos e insetos me incomodarem. Quem me dera se esse fosse o único incomodo... A estrada estava muito movimentada e a cada minuto passava um caminhão voando pela estrada atropelando um buraco enorme no asfalto que fazia tanto barulho que parecia que alguma coisa estava explodindo e quem disse que era só isso. A uns 20 metros da pista passava uma linha férrea mais movimentada do que cantina de escola na hora do recreio. A cada meia hora passada um trem buzinando e tremendo o chão. Sem brincadeira, o chão extremamente úmido e molhado passada toda a vibração dos trilhos e eu sentia minhas costelas tremerem junto. Já deu pra imaginar como foi minha noite de sono. Apesar de extremamente cansado dormi muito mal.

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