• Bild av Viagem Do século 01/04/2019
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Tid  10 timmar 16 minuter

Koordinater 21151

Uploaded den 20 september 2019

Recorded april 2019

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2 758 m
214 m
0
147
294
587,95 km

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i närheten av Los Hornos, Maule Region (Chile)

Noite no camping foi super tranquila. Sem barulhos estranhos e nenhum susto. Café, louça, dente e ajeitar as coisas, Procedimento padrão e tudo pronto pra pegar pista. Estava a uns 100km de Santiago. Parei pra abastecer já chegando na cidade posto com um auto serviço, mas sem explicações de como a coisa funciona. Tem que dar a grana no caixa depois pôr o combustível aí volta pegar o troco no caixa. Não tinha entendido muito bem e fiquei moscando uns minutos observando as pessoas abastecerem os carros. Então apareceu o frentista, um jovem haitiano que me ajudou. Enquanto abastecia falou que trabalhou um tempo no Brasil e depois foi pro Chile. Perguntei se ele estava gostando do Chile, ele deu uma balançada de cabeça meio desanimada, falou que antes era muito bom, mas agora está tudo caro demais. Falei que no Brasil tá parecido e ele me olhou com um olhar meio triste, não se era saudade de casa ou falta de esperança no futuro. Vida difícil. Peguei o troco no caixa e dei boa sorte ao frentista e voltei pra avenida sentido leste. Ia dar uma olhada nuns lugares que meu amigo Daniel, que morou em Santiago por 3 anos, me sugeriu. Maipo Canion e mais pra frente represa El Yeso. Era um bate e volta, dali não tinha saída e pensei que seria coisa rápida. Mas levei umas 3h pra ir e voltar. Maipo Canion é um lugarzinho bem bonitinho, cheio de restaurantes e hotéis, muito turístico. Segui reto a estrada de chão até o fim, 30km pra frente.

Queria chegar o mais perto possível do vulcão que tem ali, mas o caminho acabou na entrada de um parque, 8000 pesos pra entrar. Tinha uns trekkings e banhos termais lá. Deixa quieto, já era 3 da tarde. Seria legal ir ali com a Elis e ficar o dia inteiro. Quando olhei no mapa e vi que estava no lugar errado. A represa era em outro lugar. Mas valeu a visita pois o caminho era muito bonito.
Na volta parei em duas construções estranhas há muito abandonadas, extremamente reforçadas, paredes grossas e com cabos de aço no interior, achei curioso e fui ver, peguei a lanterna e entrei. Dentro dava pra ver que estava meio soterrada. Varias portas e janelas estavam fechadas com pedras e concreto.

Talvez fosse uma prisão, um forte ou um cofre. Fui na outra construção do lado, entrei em todos os lugares que conseguia. Tinha dois filhotes de cabritos mortos lá dentro e já secos, um deles estava só o desenho no chão, interessante. Bastante lixo e pichações. Bizarro. Sai do segundo prédio da fui em direção ao primeiro, onde estava a moto e pisei em um telefone celular, caramba, olha só o que eu achei aqui. Peguei na mão e me pareceu muito familiar. Ué igualzinho o meu até o papel de parede. Fui verificar na pochete, cadê o celular? Derrubei na hora que peguei a lanterninha, azar e sorte ao mesmo tempo. Voltei uns 15km e peguei o caminho certo, dessa vez cheguei na represa.
Muito bonita mesmo. Água azul que só vendo. Continuei o caminho mais uns 10km. Passei por uma mina a céu aberto de alguma coisa, era uma Rocha esbranquiçada, vai saber o que era. Bastante movimento de caminhões e máquinas passando por ali. Dava pra ver as maquinas cavando a beira da montanha e carregando os caminhões. E no final outro parque, 8000 pesos com trekkings e águas termais também. Teria sido legal explorar o lugar, mas eu já estava com espirito pronto pra voltar pra casa e não estava a fim de ficar mais um dia ali. Já era quase 3h e voltei todo caminho até Santiago. Peguei sentido norte pra varar a cidade. Trânsito carregado, mas até q fluía bem, com dois semáforos por quarteirão levei umas duas horas pra sair da cidade. Cheguei em Los Andes já na reserva a um tempo, olhei no mapa e não vi posto de combustível. O jeito seria sair da pista e entrar na cidade e procurar um posto, abasteci e fui num mercado. comprei hamburger, todinho, amendoim salgado e uma Pepsi. Que refrigerante delicioso, primeiro em quase um mês. Tomei sentado no estacionamento do mercado comendo um amendoim salgado. Saí da cidade e continuei na pista sentido Argentina. Nisso já eram 18:30, não ia dar pra passar pelo passo Cristo Redentor por fora. Sol já estava sumindo atrás das montanhas. Então vai ficar pra amanhã. Comecei a procurar um lugar pra acampar. Até achei algumas opções, mas na beirada da pista. Muito barulho e não ia dormir tranquilo. Até que vi uma rampa de saída de emergência pra caminhões. Uma caixa de brita bem cumprida e no final uma porteira fechada escrito ‘prohibido adentrarse’. Acima havia uma área com várias árvores e umas pedras. Lugar parecia ideal pra passar a noite. Como não sabia ler espanhol, decidi tentar subir com um motor por um barranco, mas a caixa de brita não deixou de jeito nenhum, a moto afundava e não tracionava, deu muito trabalho voltar pra pista. Mas que merda, como faço pra atravessar essa brita fofa? Mais fácil dar a volta. Retornei pra pista pulei a vala lateral e entrei do lado de baixo da brita onde o chão era firme, passei por umas pedras, uns montes de terra, umas curvas de nível e pronto. Contornei a porteira e subi. Um carro não conseguiria chegar ali de jeito nenhum, mas moto é outra história. Achei um bom lugar pra montar a barraca, mas tinha muita merda e vaca e até de cavalo. Estranho que estão bem frescas, acho que são de agora de tarde, parece que passou uma boiada por ali.
Até limpar o lugar, retirar as merdas e as pedras pra montar a barraca anoiteceu. Do lado corria um rio pequeno com águas velozes e barulhentas. Estava terminando de arrumar tudo quando vi dois olhos refletirem a luz da lanterna. Puta merda, um bicho. Agachei pra ver melhor e vi que era um cachorro, depois mais outro. Chamei os cães de maneira dócil pra não me estranharem. Não pareciam bravos. Aí apareceu dois cavaleiros. Tá aí os donos das merdas que vi. Os caras passaram por aqui pra levar o rebanho morro acima. Mandei um buenas noches a abaixei o facho da lanterna. Responderam com um grito e continuaram descendo com os cavalos entre as pedras. Não gosto quando me veem no acampamento, isso me dá muita insegurança. Espero ter isso não me traga problemas. Fiquei um pouco cismado com bicho aqui. Principalmente a tal puma das montanhas. Mas se tem gado ali em cima, improvável que tenha bicho selvagem por essas bandas, ainda mais tão perto da estrada barulhenta. Fiz macarrão com queijo e hambúrguer pra janta. Amanhã arrumo as coisas e bora cruzar a Argentina.

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